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conceito

Cresci escutando minha mãe dizer que de médico, artista e louco, todo mundo tem um pouco. Mais tarde, dizia ter medo da loucura até que, já mais velha, a aterosclerose chegou e ela morreu sem saber que a loucura a visitava, entre grandes momentos de sanidade.

Sem saber se ela, a loucura, era coisa sadia ou não, fui vivendo, a princípio com medo, olhando desconfiada, como boa mineira que sou.
Passei a me interessar pelo assunto, antes mesmo do Bispo ter ido à Bienal de Veneza e ter ficado cult! Ouvia os documentários da doutora Nise da Silveira falando sobre o trabalho de terapia ocupacional, onde ela substituía os tratamentos agressivos pela arte, a imagem como forma de tratamento. Enfim, escapamos da lobotomia e do eletrochoque. Isso mesmo, escapamos, pois antigamente, por muito menos, seríamos todos internados! Yayoi Kusama, artista que vive voluntariamente em uma instituição psiquiátrica, está aí para nos provar o quanto a loucura e a arte andam juntas. Ganhamos, de seu acervo imaginário, milhares de pontos e bolas coloridas.

Sempre achei que a cor da loucura fosse o vermelho, mas sendo a loucura algo que vem da cabeça e não do coração, fico sem ter como comprovar esse meu achar... Mas visitando o México, vi no museu da Frida Khalo, uma paleta de cores por ela criada, onde associava cores a sentimentos. O amarillo era relacionado à loucura, enfermidade, medo. Azul marinho, distância. E preto era nada... Descobri que, como Frida, não preciso explicar esse meu achar.

De tanto ler sobre o assunto, fiz uma teoria em que acredito que o processo de criação e a loucura são separados por uma linha muito tênue. Tem dias em que sinto que dentro de mim mora um bicho que quer sair - e se ele não for colocado prá fora... nesse momento, acredito atravessar essa linha imaginária.

Lendo uma entrevista recente do arquiteto Porfírio Valadares, ele fala que, de vez em quando, cria umas esquisitices, que tem necessidade de colocar prá fora o que o atormenta. Luiz Cláudio, da marca Apartamento 03, diz que, quando olha para um determinado trabalho ou técnica, muitas vezes se pergunta: “Como foi que cheguei a isto?”. E não tem resposta.
Depois de criada a coleção, vem a depressão, o nada, o vazio, a entrega, a sensação de que nunca mais serei capaz de criar mais nada. Até que um dia, o copo-corpo começa a se encher novamente.

Pedaço de mim é parte dessa coleção, parte desse dentro, desse criar muitas vezes caótico, desordenado. Desvio que cada um carrega em maiores ou menores proporções.

liberdade. Liberdade de criação.
Ofereço-a à vocês, para que possamos andar mais leves.
“Enlouqueçamos pois”!

Pedaço de mim é um Elogio à Loucura!

Copiar, copiar, até fazer diferente.

Walter Benjamin

Estar na moda, é ir contra ela.

Mary Arantes

Não só amo, como estimo.

Terezinha Pepino

Todo amor é sagrado.

Mary Arantes